Vou pro inferno?
Qual é o pior sentimento humano? Vamos, eu te dou um tempo pra pensar. … Pensou? Já sabe qual é? Não? Então, eu digo. São três os piores sentimentos que uma pessoa pode ter. O Arrependimento e a sua irmã Frustração. O outro seria o pai que gera essas duas aberrações que tormentam nossas vidas, o bom e velho Amor. Mas vamos dar um crédito ao velho, já que ele seria o motivo pelo qual nós estamos aqui agora. Quer dizer, o suposto motivo (hello Camisinha Quebrada, Auto-Estima Baixa e Falta de Senso-Comum).
Quantas vezes esses dois irmãos não já te deram um soco no estômago? Daqueles que te tiram o ar e que te deixam como se você estivesse doente. Pensando e lembrando a cada segundo como era não estar doente, como queria parar imediatamente de sentir aquela dor e levantar da cama. Mas não dá. Você não pode. Você já sentiu isso? Porque se não, fecha esse blog agora.
Além de ser o pior sentimento do mundo, é o sentimento mais egoísta do mundo. Esse é o nível de canalhice desses dois. Eles não apenas te deixam no pior estado em que você poderia ficar, emocionalmente, como fazem de você um babaca egoísta, já que é so ligar a televisão no Jornal Nacional e ver uma pessoa que gostaria de estar sofrendo porque perdeu o vestibular e não a casa, o pai, a mãe, a vida.
O túnel metafórico pelo qual uma pessoa frustrada ou derrotada por alguma coisa como a seleção de uma universidade federal passa tem os mesmos níveis do luto, a.k.a. Modelo de Kübler-Ross (Wikipédia, sua linda). Viu? Viu como essa frutração faz de mim um filho da puta? Acabei de comparar a perda de um ano de estudos, com a perda de uma vida. Já que estou andando na estrada da Filha da Putisse, vou continuar a explicação. Qualquer baque (de grandes proporções, não do tipo “Deus, a chuva acabou com minha chapinha”) que você leve na vida te trará cinco estágios. Negação, raiva, negociação, depressão e aceitação.
Se quando você está perto de morrer, a vida passa pelos seus olhos, quando você está checando a lista de aprovados do vestibular e vê que seu nome não tá lá, passam os seguintes momentos pela sua cabeça: ônibus lotados, tardes e madrugadas de estudos, pagamentos feitos, dias de provas, expectativa dos pais e… BOOM, GOES THE DYNAMITE. Você percebe que seu nome não está mesmo lá. E o peso de tudo isso cai nas suas costas, derruba você no chão e faz um buraco até a China. E é aí que chega a negação. “Não é possível, isso não tá acontecendo.” Checa a lista de novo, um nome parecido com o seu e quando a massagem cardíaca parece estar funcionando… Não. Não é. E o advérbio mais delicioso da língua portuguesa começa a ser seu companheiro de quarto, trazendo consigo a raiva e o uso dos “porquês”. “Por que isso tá acontecendo?”
A negociação e a depressão vêm em seguida e te trancam no seu quarto, te isolando do mundo e ignorando todos que tentam te ajudar. Depois de um bom tempo isolado, vendo os dias passarem devagar, é que começa a aceitação. Os irmãos preferidos de todos ainda estão lá, te frustrando, mas aos poucos você começa a sair daquela cama, aceitar a realidade e se preparar para mais uma jornada.
A vida é uma sucessão de frustrações. A expectativa é a melhor maneira que o universo tem de ferrar com você. Mas é preciso aceitar as chances que nos são concedidas. Todo mundo precisa se frustrar e se arrepender. Porque se você não cair, nunca vai aprender a se levantar.
—- @Cesar_Filho
Esse deve ser um dos assuntos mais difíceis pra se escrever sobre. Confesso que pensava nesse texto ontem, antes de ir dormir, e tinha tudo na cabeça, mas agora que finalmente estou na frente do teclado, pouca coisa me vem à mente. Vamos torcer pra que boa parte apareça. Antes de mais nada, quero dizer que o que está escrito aqui é a MINHA e somente MINHA opinião.
Eu não sou uma pessoa religiosa. Não me lembro qual foi a última vez que eu rezei antes de dormir. Acho que, hoje em dia, sou o que devem chamar de “católico não-praticante”. Fui criado em um lar católico. Minha avó mora (e sempre morou, desde que eu me entendo por homo sapien) ao lado de uma igreja. A fé dela e da minha mãe sempre foi uma questão muito forte na vida das duas. Como a da maioria dos brasileiros, sendo esta católica. Quando criança, ia à missa todo santo domingo (ou todo Domingo Santo, dependendo do seu ponto de vista), fiz catequese e primeira comunhão. O fato de não ser religioso agora não quer dizer que eu me arrependa ou sinta algum tipo de ressentimento por ter sido arrastado pra igreja naquela época. Foi um ritual pelo qual todos passam e devem passar. Eu aproveitei e gostei, na época. São memórias que eu guardo com certo afeto. Aquele garoto tinha um tipo de fé que esse cara que vos escreve, sinceramente, não tem. Gostava das aulas da catequese, ria com meu amigo quando ele perguntava se podia mastigar o corpo de Cristo e misturava todas as marcas de refrigerantes das festas que as “tias” faziam de vez em quando (o que não tem nada a ver com o assunto, mas não deixa de ser awesome).
Mas com o tempo, minha mãe perdeu a habilidade de me obrigar a fazer as coisas (se você estiver lendo isso, mãe, te amo, bgz) e eu deixei de praticar o catolicismo da mesma maneira. Ir à igreja começou a não fazer sentido pra mim, que via pessoas em pé do lado de trás e sentia que não passava de um ladrão de lugar para pessoas que realmente queriam estar ali. E com mais tempo, simplesmente não fui mais. E não rezei mais. Não digo, com isso, que sou ateu. Uma pessoa que não acredita é quase tão (ou até mais) estúpida que uma pessoa que acredita demais. Se um homem consegue manter o filho vivo, mesmo soterrados, e esse filho sai de lá ileso, não foi por sorte. Sorte é quando você entra no dormitório errado e dá de cara com uma loira pelada que deixou as chaves cair e foi apanhar. Isso é sorte. Quando uma pessoa vence o câncer, isso é um milagre. Milagre não é algo feito por Deus, não é algo feito pelos anjos. Milagre é simplesmente o resultado da fé. Quando você acredita que uma coisa que parece ser impossível de acontecer vai acontecer e ela acontece, isso é um milagre.
Então, não adianta vender seu Rolex, seu sofá de couro e penhorar sua casa pra pagar o dízimo do pastor, porque ele não vai fazer um milagre acontecer na sua vida. Deixo de lado os milagres referentes aos enfermos ou algo do tipo. Falo de ganhar na Tele-Sena ou conseguir um emprego decente. As conquistas da sua vida só vão acontecer se você for atrás delas. Deus não tem nada a ver com isso, ele não te deu isso que está em sua volta. Não, o seu computador não, idiota. Tudo. Então, não saia colando adesivos dizendo que Ele te deu, porque quem te deu foi o dinheiro. Outra coisa em que as pessoas pecam (ironia ahead) é em ir à igreja com algum tipo de recompensa em mente. O fato de você estar lá sentadinho ouvindo o Padre Manoel falar sobre JC e sua galera não trará coisas boas pra você. Coisas ruins acontecem com pessoas boas. E coisas boas acontecem com pessoas ruins. Se você rezou demais ou não, não tem nada a ver com isso. É apenas a maneira como universo funciona. Acho que o que eu quero dizer com isso tudo é que Deus não atende seu pedido só porque você foi à missa. Ir à missa é, como eu disse no começo do texto, um ritual. A adoração a Deus e seus santos faz parte desse ritual. Você não é uma pessoa melhor que eu porque foi à missa. Se eu sair daqui agora e for matar um mendigo na rua e roubar um caixa eletrônico, isso sim faz de mim uma pessoa pior que você. Não estou dizendo que as pessoas não devem ir à missa, não sou tão ignorante. Só defendo o meu ponto de vista de que religião é religião onde quer que você esteja.
A polêmica que há em se falar de religião é que ela é, junto com a política e o dinheiro, um dos pilares que sustenta o mundo. Globo afora, pessoas morrem e matam por causa dela e dos outros dois. Divide opiniões e gera conflitos por todo lugar, como futebol e a questão “peito versus bunda”.
Eu já dei muitos rodeios e já fui redundante demais, então vou terminar com isso:
Não viva apenas apoiando-se na religião. Acredite. Pratique sua tradição, mas encontre uma vida e saídas para seus problemas fora disso também.
— @Cesar_Filho
PS.: Enquanto pensava no texto ontem, pensei no termo “o cara lá de cima” e a música “Lua de Cristal”, da Xuxa, veio instantaneamente na minha cabeça e não saiu até eu dormir. Sua vez de ficar com ela grudada. Bem vindo ao inferno.